Mistura, composição ou simplesmente acúmulo em nossa essência? Não falo apenas de lembranças e pessoas, me refiro a 'pertences internos' e esquecidos por nós mesmos. A esperança adormecida, o desejo de revolução desfalecido e o amor pela vida que tornou-se uma ilusão devastadora. Por que auto-piedade por sofrer uma rejeição barata ou um amor não correspondido? Pra que sofrimentos infinitos por pessoas donas de almas tão pequenas? Pra que viver no mundo se isso significar viver pra dentro? Sim, viver pra dentro de si, com lamentações desmedidas referentes ao passado; viver olhando pra trás causa torcicolo, não só no pescoço, mas torcicolo no coração... é sofrer mais uma vez em inúmeras vezes, pagando juros altos, multiplicando dores que poderiam ser eliminadas se não fosse essa teimosia em aceitar. Caros humanos, é somente aceitar! Abrir as portas, escancarar as janelas e deixar o vento entrar e levar embora coisas levianas, pessoas pobres de sentimentos, o que não serve mais (que talvez nunca tenha servido) e por obstinação patética fantasiamos que pesam toneladas, mas na realidade poderíamos nos desfazer movendo um dedo.
Essa sensação de primavera chegando é praticamente uma suplica para abandonar as folhas secas e deixar o coração com aparência de flor, é pra entender que grandes ventanias nem sempre surgem para derrubar mas também para mudar os lugares. MUDAR... talvez seja a palavra-chave, o verbo perfeito para uma conjugação imediata. Pare de conjugar errado, dizer que mudou por alguém e até dizer que vai mudar. Conjugue no presente, escreva como lembrete e cole no espelho e na geladeira, estampe o sorriso mais brilhante. Se liberte, se permita!
Texto publicado dia 03/09/2011 no Jornal Folha do Sul
Texto publicado dia 03/09/2011 no Jornal Folha do Sul

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