sábado, janeiro 28, 2012

São verdades.

   

       Pra escrever precisamos de algum tipo de emoção, de sentimento, porque coração solitário não sabe juntar palavras com coerência, ou até consegue juntar, mas não toca a alma de ninguém, nem a nossa própria.  Não estou voltando atrás quando repeti mil vezes que detesto e que desisti  do amor e de qualquer forma de amar, de gostar e de querer alguém, mas é que quando somos ‘vazios’ nada faz sentido, nem a música romântica, nem o texto e nem o mundo.  Maldita mulherzinha sensível que habita dentro de mim, maldito sentimentalismo que insiste em assombrar minha auto-suficiência, maldito coração puro que não morreu mesmo depois de tantos cortes profundos.
     Em todas as minhas intermináveis  crises de identidade eu sempre termino adquirindo outra vez essa coisinha chamada esperança ou sonhos de adolescente, sabe como é? Eles retornam e não ligam pros meus traumas; não que eu seja fraca, é que eu sou assim desse jeito. Minha maior vontade era ter nascido imperfurável , impiedosa, sem escrúpulos e sem remorsos... mas meus sentimentos sempre ultrapassaram a velocidade segura de sentir.  Que droga, eu só preciso de colo, de um abraço apertado que me dê segurança e que alivie meus medos. Queria finalmente não precisar de nada disso ou quem sabe me enganar e acreditar dizendo que não preciso, mas eu sou humana, sou de verdade e um dia a gente precisa de alguém, um dia a gente precisa encontrar a gente mesmo dentro de outro. 

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Quem fui ontem?

       

       É claro que eu já quis encontrar alguém que me fizesse rir até das besteiras, sim eu já sonhei que esbarraria em um cara legal quando menos esperasse, é claro que eu já conheci um imbecil mas fui tola e pensei: “é esse!”, é claro que em outros tempos eu dormi chorando porque a dor estava transbordando no meu peito, é claro que eu pensei que daquela vez seria diferente e o roteiro foi exatamente igual.  Mas hoje nada interessa, criei uma barreira tão grande dentro de mim que nem eu mesma consigo me enxergar; não olho pra mais ninguém, se por acaso ouso olhar, não vejo nada.
Talvez seja lamentável, mas certas decepções me transformaram em pedra, ninguém se aproxima, ninguém toca, ninguém me encanta, ninguém rouba meus suspiros. De vez em quando dá uma pena, lamento por tudo que poderia ter sido e não foi, por tudo que eu quis que tivesse sido e na realidade era utopia, pela minha capacidade de ser de verdade com gente de mentira.  Mas está vendo vida? Eu aprendi. Apanhei, quebrei a cara mas aprendi. Não tem vida, decepção ou menininho sem caráter que me vença. O que tem aqui dentro é imensamente maior e indestrutível.