segunda-feira, abril 09, 2012

Paixão? Não!



  A paixão, meu caro, não é para os fracos que vibram na mesma frequência dos seus sentimentos, a paixão apaga todas as convicções; não foi feita para os sensíveis que vivem implorando afeto; ela não é para os inocentes que veem pureza em qualquer gesto doce; a paixão queima tanto que deveria pertencer aos frios e calculistas; não é pra mim, que vivo querendo enxergar o lado bom de todo mundo.  A paixão não é pra essa gente que se entrega de corpo e alma, não é para os românticos, nem para os capazes de gostar de alguém de verdade. Essa é grande ironia da paixão.
      Cheguei à conclusão que precisamos ser de mentira, que a lei é fingir que não se sente, que pra não se machucar, a única solução é vestir uma armadura forte e deixar o coração enterrado no quintal.  É sorrir automático nas rodas de conversa, é fechar os olhos quando eles insistirem em brilhar muito, é acabar com as coisas bonitas antes que elas possam acabar com a gente.  É entender que vale mais ser estúpido, que ser sincero; que deixar qualquer sentimento bacana florescer é ato de suicídio. 

quinta-feira, abril 05, 2012

Aquilo que não permite.



     A gente sente com o coração inteiro, mas finge que ainda não está sentindo, afinal sentir algo novamente acaba amedrontando aqueles que já sentiram tanto e sairam feridos.  A gente sente falta mas não admite, a gente se esconde nos becos imaginários como se fosse feio demonstrar a saudade. A gente permanece em pé na fila dos ‘controlados’, a gente aguenta firme, atura cada silêncio, prende dentro do bolso cada impulso que possa assustar o outro. Não, não é só o mal que causa receio, sentimentos tiram o chão de muita gente, sentimentos são a base de poucos, sentimentos são os dois se soubermos dosar, mas a maior verdade de todas é que a gente não sabe.
   Frases profundas desvendam a simplicidade dos sentimentos, na teoria é tudo bonitinho, tocante e fácil, na prática embaralhamos as certezas, trocamos verdades que deveriam ser ditas por silêncios absolutos, deixamos de falar o que sentimos por não saber como o outro vai interpretar. Que coisa não, ele não pode ter o direito de interpretar, nem nós de querermos entender. Quando é que a gente vai compreender que sentimento é feito pra sentir? É sentindo com cada partícula do corpo, sentindo com a mente, a alma e o coração que se têm todas as certezas de que viver vale mais a pena que qualquer outra coisa, e não tem essa de pensar não. Sentir não permite reflexões, nem ensaios, nem sermões. Ainda que eu tapeie o que sinto, ainda que eu esconda o que cresce aqui dentro, uma hora ou outra, tudo me encontra.