domingo, maio 20, 2012

Arrisque, é simples!


        

            Dilemas nos colocam em becos quase sem saída, em meio ao caos mais intenso, nos jogam contra nossas convicções e armam ciladas imperfeitas. Porque no fundo a gente sabe exatamente o que deve ser feito, têm as palavras que deveriam ser ditas e o beijo que deveria ser roubado, e ainda assim esconde a solução dentro do bolso por mero medo, medo de fazer tudo errado, medo do impacto das frases que serão ditas, medo de encarar os sentimentos puros, é só medo de ser feliz. Vê se pode isso? Não, não pode.
    E agora me digam, ainda vão insistir em dizer que sentem medo da morte? Deveríamos sentir medo da vida, talvez não das coisas que fazemos, mas do que deixamos de fazer. Humanos bobos, hipócritas! Somos bons o suficiente pra falar frases bonitas, pra dizer que tudo passa, pra aconselhar o mundo inteiro e esquecemos que o tempo também passa, que as oportunidades não surgem 10 vezes.
     Não estou querendo escrever bonito, não estou ligando pra concordância, estou me importando com o significado de cada letra que uso, com o que tem por trás do que tento gritar. Aí vai um super clichê: não deixa que seja tarde, não deixa que teus receios te impeçam de encontrar a tal felicidade. Tudo o que vale a pena tem que ser conquistado, é preciso provar que existe merecimento. Às vezes as coisas não são difíceis como pensamos (de tanto pensar a gente se perde), quem sabe um telefonema, uma visita ou um olhar possa colocar tudo no lugar. Arrisca, paga pra ver, dá a cara a tapa ou então fica te perguntando como poderia ter sido. A escolha é sempre nossa!

segunda-feira, abril 09, 2012

Paixão? Não!



  A paixão, meu caro, não é para os fracos que vibram na mesma frequência dos seus sentimentos, a paixão apaga todas as convicções; não foi feita para os sensíveis que vivem implorando afeto; ela não é para os inocentes que veem pureza em qualquer gesto doce; a paixão queima tanto que deveria pertencer aos frios e calculistas; não é pra mim, que vivo querendo enxergar o lado bom de todo mundo.  A paixão não é pra essa gente que se entrega de corpo e alma, não é para os românticos, nem para os capazes de gostar de alguém de verdade. Essa é grande ironia da paixão.
      Cheguei à conclusão que precisamos ser de mentira, que a lei é fingir que não se sente, que pra não se machucar, a única solução é vestir uma armadura forte e deixar o coração enterrado no quintal.  É sorrir automático nas rodas de conversa, é fechar os olhos quando eles insistirem em brilhar muito, é acabar com as coisas bonitas antes que elas possam acabar com a gente.  É entender que vale mais ser estúpido, que ser sincero; que deixar qualquer sentimento bacana florescer é ato de suicídio. 

quinta-feira, abril 05, 2012

Aquilo que não permite.



     A gente sente com o coração inteiro, mas finge que ainda não está sentindo, afinal sentir algo novamente acaba amedrontando aqueles que já sentiram tanto e sairam feridos.  A gente sente falta mas não admite, a gente se esconde nos becos imaginários como se fosse feio demonstrar a saudade. A gente permanece em pé na fila dos ‘controlados’, a gente aguenta firme, atura cada silêncio, prende dentro do bolso cada impulso que possa assustar o outro. Não, não é só o mal que causa receio, sentimentos tiram o chão de muita gente, sentimentos são a base de poucos, sentimentos são os dois se soubermos dosar, mas a maior verdade de todas é que a gente não sabe.
   Frases profundas desvendam a simplicidade dos sentimentos, na teoria é tudo bonitinho, tocante e fácil, na prática embaralhamos as certezas, trocamos verdades que deveriam ser ditas por silêncios absolutos, deixamos de falar o que sentimos por não saber como o outro vai interpretar. Que coisa não, ele não pode ter o direito de interpretar, nem nós de querermos entender. Quando é que a gente vai compreender que sentimento é feito pra sentir? É sentindo com cada partícula do corpo, sentindo com a mente, a alma e o coração que se têm todas as certezas de que viver vale mais a pena que qualquer outra coisa, e não tem essa de pensar não. Sentir não permite reflexões, nem ensaios, nem sermões. Ainda que eu tapeie o que sinto, ainda que eu esconda o que cresce aqui dentro, uma hora ou outra, tudo me encontra. 

sábado, janeiro 28, 2012

São verdades.

   

       Pra escrever precisamos de algum tipo de emoção, de sentimento, porque coração solitário não sabe juntar palavras com coerência, ou até consegue juntar, mas não toca a alma de ninguém, nem a nossa própria.  Não estou voltando atrás quando repeti mil vezes que detesto e que desisti  do amor e de qualquer forma de amar, de gostar e de querer alguém, mas é que quando somos ‘vazios’ nada faz sentido, nem a música romântica, nem o texto e nem o mundo.  Maldita mulherzinha sensível que habita dentro de mim, maldito sentimentalismo que insiste em assombrar minha auto-suficiência, maldito coração puro que não morreu mesmo depois de tantos cortes profundos.
     Em todas as minhas intermináveis  crises de identidade eu sempre termino adquirindo outra vez essa coisinha chamada esperança ou sonhos de adolescente, sabe como é? Eles retornam e não ligam pros meus traumas; não que eu seja fraca, é que eu sou assim desse jeito. Minha maior vontade era ter nascido imperfurável , impiedosa, sem escrúpulos e sem remorsos... mas meus sentimentos sempre ultrapassaram a velocidade segura de sentir.  Que droga, eu só preciso de colo, de um abraço apertado que me dê segurança e que alivie meus medos. Queria finalmente não precisar de nada disso ou quem sabe me enganar e acreditar dizendo que não preciso, mas eu sou humana, sou de verdade e um dia a gente precisa de alguém, um dia a gente precisa encontrar a gente mesmo dentro de outro. 

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Quem fui ontem?

       

       É claro que eu já quis encontrar alguém que me fizesse rir até das besteiras, sim eu já sonhei que esbarraria em um cara legal quando menos esperasse, é claro que eu já conheci um imbecil mas fui tola e pensei: “é esse!”, é claro que em outros tempos eu dormi chorando porque a dor estava transbordando no meu peito, é claro que eu pensei que daquela vez seria diferente e o roteiro foi exatamente igual.  Mas hoje nada interessa, criei uma barreira tão grande dentro de mim que nem eu mesma consigo me enxergar; não olho pra mais ninguém, se por acaso ouso olhar, não vejo nada.
Talvez seja lamentável, mas certas decepções me transformaram em pedra, ninguém se aproxima, ninguém toca, ninguém me encanta, ninguém rouba meus suspiros. De vez em quando dá uma pena, lamento por tudo que poderia ter sido e não foi, por tudo que eu quis que tivesse sido e na realidade era utopia, pela minha capacidade de ser de verdade com gente de mentira.  Mas está vendo vida? Eu aprendi. Apanhei, quebrei a cara mas aprendi. Não tem vida, decepção ou menininho sem caráter que me vença. O que tem aqui dentro é imensamente maior e indestrutível.